Maggi pagou propina para Eder Moraes mudar versao em depoimento -

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Publicado em: 11/08/2017 às 20:20:00 Autor: RAFAEL DE SOUSA Fonte: REPÓRTER MT

O Jornal Nacional, da TV Globo, teve acesso a trechos da delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) em que´ele acusa o ministro Blairo Maggi (PP) de pagamento de propina. 

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) acusou, em delação premiada aos procuradores de República, que o também ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP) participou de um esquema de propina que pagou R$ 6 milhões para que o ex-secretário Eder Moraes mudasse a versão de uma denúncia de corrupção no Estado.

As revelações feitas por Silval foram destaque no Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta sexta-feira (11). Segundo a reportagem, o peemedebista contou à Procuradoria-Geral da República como funcionava o esquema em Mato Grosso.

“Na denúncia, Silval revelou pagamentos ao ex-secretário de Mato Grosso Éder Moraes para que ele mudasse o depoimento a fim de inocentar Blairo Maggi”, destacou trecho da matéria.

À época, primeiro Eder denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) “que ele Silval e Blairo sabiam da compra de vagas no Tribunal de Contas da União [TCE] e Eder queria assumir uma delas”.

No entanto, na delação, o ex-governador explica aos procuradores que “depois deste depoimento Eder procurou Silval e Blairo e pediu R$ 12 milhões para voltar atrás no que disse”. Ambos aceitaram pagar a propinar, porém, apenas metade, ou seja, R$ 3 milhões de Silval e R$ 3 milhões do ministro.

“O delator [Silval] disse que a parte de Blairo foi entregue a Éder por Gustavo Capilé, ligado ao ministro, sendo Blairo confirmou ao pagamento em dinheiro vivo, entre os anos de 2014 e 2015. Silval confessou que sua parte também foi entregue por Silvio Côrrea Araújo, seu chefe de gabinete, na casa de Eder e outra parte serviu para quitar uma dívida do ex-secretário de R$ 800 mil”, diz trecho do documento.

Após os pagamentos, realmente mudou a versão do seu depoimento. “Éder falou que em 2009 falou com os ex-governadores que queria comprar uma vaga no TCE. (...) Já em janeiro de 2015, o ex-secretário deu uma entrevista afirmando que havia mentido no depoimento anterior”.

Na época, Éder disse: “Estava tomado pela emoção de não ter sido atendido para ocupar uma vaga no tribunal. Praticamente me nomearam e depois me tiraram essa vaga, isso fez com que eu colocasse ali algumas palavras na qual já me retratei”.

As retratações do ex-secretário da Casa Civil, Éder Moraes, tiveram impacto nas investigações que foram arquivadas. Porém, após as revelações de Silval nos inquéritos devem ser abertos.

Citou deputado e senador

Silval cita ainda o repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra, presidente do PMDB de Mato Grosso, para que apoiasse a candidatura de Lúdio Cabral (PT) e Francisco Faiad a Prefeitura de Cuiabá, em 2012. 

O ex-governador e delator também fala que o senador Wellington Fagundes, presidente do PR no Estado, sem citar valores. A propina vinha de contratos com construtoras, segundo a TV Globo.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais, coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:  

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar  qualquer  ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa. 

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim,  ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. 

Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional. 

6. Por fim, entendo ser lamentável os ataques a minha reputação, mas estou com a consciência tranquila quanto às minhas ações e assim que tiver acesso ao teor da possível delação, usarei de todos os meios legais necessários para me defender, pois definitivamente acredito na Justiça. O momento exige serenidade e responsabilidade. 

Blairo Maggi

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