Polícia Federal suspeita que Maggi tenha apagado mensagens de celular apreendido -

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Publicado em: 09/02/2018 às 08:55:00 Autor: Fonte: REPÓRTER MT

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), é suspeito de ter apagado de forma remota as mensagens de seu aparelho celular, apreendido pela Polícia Federal, em setembro de 2017, na deflagração da Operação Malebolge.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, em relatório da PF, elaborado em dezembro, o celular continuou recebendo mensagens no decorrer do dia da operação, 14 de setembro. O texto ressalta que a perícia recuperou um grupo, que havia sido deletado, cuja última mensagem foi recebida às 19h39 do dia 14. O conteúdo das mensagens não foi recuperado.

Como o aparelho foi apreendido na parte da manhã, o relatório afirma que “não se vislumbra possibilidade da conversa do grupo ter sido excluída antes do celular ter sido apreendido”, e levanta a suspeita de que “o aparelho tenha sido acessado remotamente e deletado as mensagens após às 9h36m”.

A PF ressaltou que “se faz necessário um exame pericial mais específico para afirmar que isso de fato tenha ocorrido”.

Maggi negou ter feito qualquer interferência ou apagado as mensagens do celular. Em nota, "a defesa do ministro Blairo Maggi informa que desde a entrega dos aparelhos celulares à Polícia Federal não houve nenhum tipo de acesso aos dispositivos por parte do ministro. Reafirma ainda que, de forma absolutamente colaborativa, Blairo Maggi entregou no ato da apreensão todas as senhas dos aparelhos juntamente com os telefones e o iPad, permanecendo todos seus dispositivos e senhas custodiados pelos agentes do Estado desde o dia 14 de setembro de 2017 até a presente data".

Confira a íntegra da reportagem

A Polícia Federal (PF) levantou a possibilidade, em um relatório, de que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tenha apagado remotamente mensagens de um celular que foi apreendido pela corporação. O ministro nega que tenha interferido e apagado as mensagens do aparelho.

O aparelho foi recolhido em setembro, durante a Operação Malebolge (12ª fase da Ararath), que cumpriu diversos mandados de busca e apreensão, sendo um deles no apartamento em que mora o ministro, que é ex-governador de Mato Grosso. Maggi foi citado na delação do também ex-governador daquele estado Silval Barbosa (PMDB). É com base nas denúncias de Silval que a ação foi deflagrada.

Em sua delação, Silval disse que os deputados estaduais recebiam um mensalinho para votar projetos de interesse do Executivo. Segundo ele, o esquema existiu durante o mandato de vários governadores: Dante de Oliveira (já falecido), Blairo Maggi e o próprio Silval.

De acordo com o relatório da PF, elaborado em dezembro, o celular continuou recebendo mensagens no decorrer do dia da operação, 14 de setembro. O texto ressalta que a perícia recuperou um grupo, que havia sido deletado, cuja última mensagem foi recebida às 19h39 do dia 14. O conteúdo das mensagens não foi recuperado.

Como o aparelho foi apreendido na parte da manhã, o relatório afirma que “não se vislumbra possibilidade de a conversa do grupo ter sido excluída antes de o celular ter sido apreendido”, e levanta a suspeita de que “o aparelho tenha sido acessado remotamente e deletado as mensagens após às 9h36m”.

A PF ressaltou que “se faz necessário um exame pericial mais especifico para afirmar que isso de fato tenha ocorrido”.

Em parecer enviado na semana passada ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é relator do caso, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu novas perícias nos aparelhos do ministro, "em razão da assertiva técnica de que houve apagamento remoto de conteúdo de mensagens e que, eventualmente, poderão ser recuperadas".

O relatório da Polícia Federal também destaca que não foram localizadas conversas particulares no WhatsApp, apenas grupos e listas de transmissão — quando mensagens são enviadas para diversos usuários de uma só vez. “Nem mesmo conversas com familiares foram encontradas”, diz o texto.

Outras duas suspeitas foram levantadas pela PF. A primeira é que o aplicativo Telegram tenha sido deletado do aparelho, já que ele não foi encontrado, mas mensagens indicam que ele havia sido instalado.

Os investigadores também afirmaram que “causa estranheza” o fato de outro aparelho, o celular funcional do ministro, ter poucos arquivos “seja de mídia, seja de registro de chamadas, seja de conversas”.

Nos dois casos, o relatório afirma que é necessário realizar uma análise pericial para saber se arquivos foram excluídos e se é possível recuperá-los.

Outro lado

Ao O Globo, o ministro negou que tenha apagado mensagens do celular remotamente. Ele explica que a PF apreendeu dois aparelhos, um de trabalho e um segundo que usava como reserva caso precisasse.

Não tem como alguém acessar remotamente um grupo de Whatsapp e apagar, essa hipótese é zero. Da minha parte não houve interferência. Eles têm o direito de fazer nova perícia, é o processo legal. Eu estou à disposição — disse o ministro ao GLOBO.

Blairo também sugeriu que “alguém, de algum grupo” que participava no aplicativo o tenha excluído.

Não sei, pode acontecer — disse.

Ele informou que comunicou à PGR e ao juiz do processo quando alterou a senha do celular.

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