Sargento da PM que teria executado investigação contra juízes também é alvo -

Policia

Publicado em: 27/09/2017 às 10:36:00 Autor: LUCAS BÓLICO / PATRÍCIA NEVES Fonte: OLHAR DIRETO

A decisão do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), expedida na manhã de hoje (27) contra figuras do alto escalão do Governo do Estado suspeitas de envolvimento em grampos ilegais, determina ainda mandado de contra o sargento da Polícia Militar, João Ricardo Soler.  

No último dia 29 de junho, o coronel Airton Benedito Siqueira Junior, secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, relatou, em declaração registrada em cartório que, uma investigação dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi realizada com a instalação de escutas de ambiente em gabinetes de desembargadores e cópia de informações de computador de magistrados.

A declaração foi anexada ao depoimento prestado por Siqueira ao coronel  da  Polícia Militar Jorge Catarino, que preside o inquérito militar sobre grampos ilegais supostamente operados em Mato Grosso por um núcleo de policiais militares.
 
De acordo com o secretário, um sargento identificado como Soler teria lhe confidenciado que executou em 2007 uma investigação comandada pelo desembargador Orlando Perri, à época corregedor de Justiça do TJ.

O sargento Soler, à época lotado no Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), teria dito a Siqueira que as investigações eram contra o desembargador José Ferreira Leite e os juízes Antônio Horácio, Marcelo Barros, Marcos Ferreira e Irênio Lima Fernandes. “O próprio sargento Soler contou ao declarante (Siqueira) que o promotor Mauro Zaque havia lhe passado uma missão altamente sigilosa, e que a referida missão tratava da investigação dos magistrados envolvidos no escândalo da maçonaria”, diz trecho da declaração.

Siqueira ainda afirmou no documento que o sargento lhe disse que se apresentou ao juiz Luis Aparecido Bertolucci por ordem de Mauro Zaque {que atuou como secretário de Segurança Pública}  e o magistrado lhe ordenou que colocasse escutas ambientais no gabinete do desembargador Orlando Perri para gravar tudo o que fosse conversado ali.

Secretário era do Gaeco

 Em 2007, ano em que teria ocorrido a investigação, o coronel Siqueira era major e estava lotado no Gaeco. Perri, por sua vez, era corregedor e estava investigando o desvio de dinheiro do TJ para a loja maçônica Grande Oriente. Siqueira afirma na declaração autenticada em cartório que Perri determinou interceptações telefônicas contra o desembargador José Ferreira leite juntamente com os juízes Marcelo Barros, Antônio Horácio, Irênio Lima Fernandes e Marcos Aurélio Ferreira. As decisões, de acordo com a declaração, eram todas feitas de próprio punho por Perri.

A declaração  de Siqueira foi anexada a inquérito da Polícia Militar que apura o esquema de grampos em Mato Grosso e que teria realizado entre os anos de 2014 e 2017.

Ao coronel Jorge Catarino, Siqueira ainda revelou uma espionagem que teria descoberto na eleição de 2016 para prefeito em Lucas do Rio Verde, na qual PMs teriam recebido dinheiro para instalar câmeras, captação de áudio e invadirem ambiente privado ligado à campanha do ex-prefeito Otaviano Pivetta, que não conseguiu a reeleição (leia mais aqui).

No último dia 14 de setembro, o  desembargador Orlando Perri afirmou que cerca de 70 mil telefones sofreram interceptações telefônicas em Mato Grosso entre os anos de 2014 e 2017. O magistrado considera o número como algo estarrecedor e prega readequação sobre o emprego do procedimento.

Perri nega 

O desembargador Orlando Perri negou  que tenha praticado qualquer interceptação telefônica ilegal em face de juízes ou desembargadores enquanto corregedor de Tribunal de Justiça. As especulações, segundo o magistrado, seriam para enfraquecer a investigação sobre grampos em Mato Grosso. 

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